CARIDADE
Quando pensamos nessa palavra, a
primeira imagem que surge é um bem feitor dando comida pra um mendigo ou, no
máximo, voluntários doando seu tempo em ong e afins. Na verdade, exercer a
caridade é algo bem mais difícil de concretizar do que supõe esse nosso senso
comum.
“Boa disposição do ânimo para com
todas as criaturas.”, diz o Aurélio na primeira definição que dá ao termo. Bom,
se é assim - e se não é, deveria ser! -, tem muito filantropo por aí precisando
atualizar o próprio conceito de caridade. E não só eles, mas toda a sociedade.
A caridade não se limita apenas aos necessitados. Ela começa dentro de casa, na
vizinhança, no colega de sala que senta ao lado, na relação chefe-subordinado.
Não consigo ver coerência em servir sopão no fim de semana e preterir alguém de
determinada atividade só porque tem déficit de atenção e a paciência é pouca.
Ou em dar esmolas na rua e logo em seguida excluir da conversa o colega que
mora na invasão porque não consegue pensar em um assunto em comum.
Me passa longe a ideia de receita
de bolo para relações interpessoais, principalmente quando consideramos as
infinitas variáveis. Mas o vício de observar me traz aos sentidos esses
paradoxos percebidos durante o dia, quase todos os dias.
A caridade cristã engloba sim
todo o movimento de solidariedade econômica, mas ela deixa de existir se não
começar de dentro pra fora. Pra tentar ajudar o filho do vizinho, temos que nos
certificar antes se nossos próprios filhos não precisam de ajuda. Por isso,
tenha mais paciência quando sua avó pedir ajuda pela enésima vez para ajeitar o
cabelo. Arranje tempo para explicar aquele assunto tão simples para quem (você
supõe) já deveria ter entendido. Não pare de ouvir a explanação do coleguinha
só porque ele gagueja um pouco.
É bem provável que a maioria de
nós não tenha consciência de que estamos negando ajuda às pessoas mais próximas
de nós. Mas se você chegou até aqui,
vale a pena parar um pouco e refletir...

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