PRATICAR A FÉ
X
SEGUIR UMA RELIGIÃO
Ao contrário do que possa
parecer, as duas expressões não significam a mesma coisa. Durante toda a
história da humanidade, as pessoas têm buscado nas religiões apoio para
enfrentar as mazelas da vida. Procuram desesperadamente por alívio, afeto,
compreensão, refrigério e por motivos que justifiquem essa árdua tarefa que nos
é imposta: viver (afinal, ninguém
pede pra nascer). Mas o que ocorre é que no meio do caminho o ser humano se
perde em meio a rituais e dogmas que nada têm a ver com o verdadeiro culto
àquilo que é sagrado. Talvez porque o que procuram não é, necessariamente, uma
consequência natural da prática religiosa.
“Todo mundo precisa de uma
religião!”; “A pessoa tem que ficar onde ela se sente bem.”; Sinto um arrepio
na espinha toda vez que ouço frases assim. Se isso é seguir uma religião, estou
bem longe de ser uma religiosa. Por outro lado, praticar a fé é algo bem mais
raro de se ver por aí. Quem pratica a fé em Deus até pode estar em busca da
felicidade e do bem estar – e não há nada de errado nisso -, mas essa não é a
força que o move. Ter fé em Deus significa acreditar naquilo que não se pode
ver; em promessas que não são para esta vida; em aceitar a dor como paga pelo
bem que oferece. Praticar a fé não tem nada a ver com escolher uma denominação
e segui-la ou “utilizá-la” semanalmente, tal qual se escolhe um hobbie ou um esporte. Praticar a fé é
estar o tempo inteiro com a mente conectada com Deus, confiando que Ele guiará
nossos passos, e tentando entender como podemos fazer o bem cada vez mais e
melhor. Mas isso não implica em se ter uma “recompensa” emocional. Muito pelo
contrário. Na grande maioria das vezes, o que a vida nos traz são mais
provações, mais ingratidão.
Uma boa referência para ilustrar
este conceito de fé cristã é o filme Entertaining
Angels – The Dorothy Day Story (título em português: A celebração dos Anjos
– A História de Dorothy Day). Os desafios encontrados pela protagonista para se
manter firme na fé são imensos, até cruéis, e durante toda a trama ela se
questiona até que ponto conseguirá permanecer vivendo segundo à vontade de
Deus. Se desequilibra sobre a linha tênue que é o próprio bem-estar e o do
próximo.
O fato é que o praticante da fé
não escolhe uma religião para se servir dela. Ele vive a religião para servir a
Deus e ao próximo. Há um abismo gigantesco entre esses dois conceitos, e que a
maioria de nós ou não quer ou não se preocupa em ver e entender.




