segunda-feira, 25 de setembro de 2017

A ordem dos fatores

A ordem dos fatores

O problema todo está na ordem dos fatores. Apesar da máxima de que ela não altera o produto, longe da matemática, optar por agir em determinada ordem pode sim destruir o objetivo almejado (consciente ou não). Premissas de uma boa gestão podem e devem ser usadas em nosso dia-a-dia. Saber o que se pretende e pensar antes de agir são, na verdade, fases de um bom planejamento, e um bom planejamento é pré-requisito para o sucesso de qualquer empreitada.

Pode até parecer estranho, mas trato aqui da forma displicente com a qual as pessoas costumam lidar com a própria vida amorosa – não que eu considere este um tema tão importante assim, mas as indagações sempre me vêm à mente quando observo “cabeçadas” milenares se repetindo. Sempre a mesma introdução, a mesma forma, o mesmo método. Mas afinal de contas, o que realmente estão procurando?

Passada a primeira juventude, aquela das paqueras e o “viver como se não houvesse amanhã”, alguns homens e mulheres passam a buscar uma espécie de relacionamento estável e, ao se depararem com tentativas frustradas ou mesmo o insucesso das investidas, passam a reclamar do comportamento do outro, sempre usando como justificativas a falta ou o excesso das mais diversas e (in)desejáveis características. – Não existe receita de bolo! Dizem alguns. – Não era pra ser! Exclamam outros. Mas o fato é que, raramente, essas pessoas param para refletir a própria vida, tentando olhar do alto, como quem está fora de toda a sistemática.

O comportamento mais usual é o de socializar para tentar a sorte de encontrar alguém que agrade ao visual, olfato e paladar – nesta ordem -, para, a partir daí, conhecer melhor o outro. Barzinhos, boates e até igrejas são usados como prateleiras de onde se pretende retirar o melhor produto. O problema dessa “compra” é que não é possível saber o que estamos levando, mesmo estando o produto bem apresentado e dentro do prazo de validade.

Sem pretensões de sugerir que fazendo o caminho inverso o sucesso estaria garantido. Mas há de se convir que o caminho inverso é o menos utilizado e, justamente por isso, não se sabe ainda o impacto que poderia ter na maioria das relações.

Reflexão, ponderação (planejamento!) requer raciocínio lógico. Lógico! Como analisar um evento, ou vários deles, sem racionalidade? O afetivo pode e deve caminhar de mãos dadas com o racional. Perdoem-me os defensores do “instinto Todo-Poderoso”, mas a razão é uma exclusividade humana. Ou alguém já presenciou qualquer outro bicho com crise de consciência?

Se as pessoas não pararem de supervalorizar a sede visceral que sentem por um relacionamento amoroso, não conseguirão enxergar no outro o que deveria satisfazer outros sentidos. E é justamente nisso que se encontram os indícios para se optar seguir em frente ou não no se relacionar com o próximo, independentemente do tipo de relação que se pretenda. Qual o problema em viver a vida sem a expectativa romântica? Por que não retirar dos olhos essas lentes tão embaçadas que tiram do foco qualquer outra nuance da interação humana?

No primeiro contato entre duas pessoas deveria estar sempre - e apenas - o interesse por conhecer o outro. Quantas coisas podem surgir quando deixamos o universo de uma outra mente invadir a nossa vida? Qual o sentido em buscar apenas o potencial romântico de alguém? Isso é muito pouco perto do tudo infinito que dispomos para dar e receber. Por este ângulo, o instinto é um grão de areia quando comparado com o universo do intelecto humano.

Sendo assim, meus senhores e minhas senhoras, alteremos a ordem dos fatores! Se o que se busca é um relacionamento estável, amoroso ou não, deixemos à mostra nossas ideias, nossas (in)conclusões, nossa visão de mundo. Se não houver conexão, ao menos saberemos, com um grau de certeza satisfatório, o porquê.





Nenhum comentário:

Postar um comentário

Dê aqui a sua opinião.